terça-feira, 18 de agosto de 2015

Hoje o Vulva vem falar para (PASMEM) você que é homem e/ou brancx e/ou héterx e/ou cis

Sim, migas, nós decidimos parar pra falar um cadinho com essa gente (risos). E dentre essas pessoas, estamos nós também. O Vulva é feito por pessoas (verdade, não somos robôs). E dentre nós temos também uma diversidade bem interessante. Mas cada uma de nós sofre uma opressão, pelo menos. Ou sejE, não estamos no topo da pirâmide social.

Porém, sofrer de alguma opressão não lhe dá uma carteirinha VIP pra falar de toda e qualquer opressão, e por isso a gente decidiu conversar, nesse momento, com aquelxs que não sofrem determinada opressão. Já já você vai entender o porque.
Parece que a internet tem um poder sem precedentes de fazer com que a gente queira ter uma opinião sobre tudo. E mais do que isso, você precisa dar sua opinião sobre tudo. Ter um posicionamento é quase uma obrigação. Isso pode até parecer maneirão, mas tem hora que enche o saco. E sério, não temos como ter opinião sobre tudo, porque não conhecemos tudo. E a coisa fica perigosa quando estamos falando de opressões.

Recentemente tivemos um debate no grupo do Vulva Fúcsia no Facebook, onde houve silenciamento de mulheres negras e uma insistência de eliminar a questão racial do debate, no qual o tema principal eram os preconceitos e os estigmas do homem negro, que em nenhum momento dissemos que é maior do que o que a mulher negra sofre, muito menos do que o que a mulher branca. Quando se fala de racismo, não se pode apontar que existem outras "questões mais urgentes", negando a importância da questão racial, especialmente se você é branco e não sofre com tais questões. Ou seja, se você não sofre racismo, você não tem vivência para querer dar legitimidade a uma causa que você não sofre na pele, logo, também não pode vir querendo impor uma hierarquia de opressões.
Titia Audre Lorde nos disse que não existe hierarquia de opressões. Ou seja, não se trata de classificar as opressões em conceitos de “maior”, “menor” ou “pior”. E, principalmente, as opressões estão relacionadas.

Uma luta não exclui a outra, mas não adianta curtir foto de bebês negros no facebook, e num debate querer silenciar, direcionar o debate onde se fala de negritude e opressões históricas pra um tema que não tem a ver com as questões de raça, porque não considera importante a questão para o feminismo. E pior: Dizer que as pessoas negras estão exasperadas ao defender seus pontos de vista no debate. Essa é uma tática de silenciamento extremamente violenta, onde os argumentos da pessoa são invalidados por uma suposta "histeria". Nenhuma pessoa é obrigada a ser didática.

Ok, mas issaqui é uma aula ou um post? Não sei, miga. Mas posso te responder porque estamos falando disso:

Aprenda a aprender. Se o assunto é alguma opressão que você não sofre, aprenda com quem sofre. Você com certeza é a favor ou contra aquele assunto, mas naquele momento o que você acha é menos necessário do que o microfone da Britney num show ao vivo (sdds toxic).

Ainda não entendeu. Vamo desenhar!

O assunto é racismo e/ou cultura negra, e você é brancx?
O assunto é lesbofobia e você é héterx?
O assunto é machismo e você não é mulher?
O assunto é transfobia e você é cis?
O assunto é bifobia e você é mono?
Então...



ASS: Moderorxs do Vulva Fúcsia, com amor!

domingo, 3 de maio de 2015

Olár! 

        Nos dias de hoje, com mais gente acessando as redes sociais e tendo como base de formação intelectual esses espaços, temos um número grande de pessoas que tem seu primeiro contato com o tema feminismo por aqui, oq é ótimo, maravilhoso e esplêndido, pode também ter alguns complicadores nos tererê das informações. Quando uma mulher se reconhece como feminista, seja nas redes sociais ou na sua vida, digamos, real... isso não a faz passar por um processo de 'endeusamento amazônico' e ela não se torna a mulher maravilha, ela ainda convive com as mesmas problemáticas sociais q todas as outras mulheres. 
        Em muitos casos da minha vida, eu só solicito ajuda de homens ou de outras pessoas, quando eu realmente não consigo executar tal tarefa, e ainda assim, nesse raros momentos em que ou não tendo força, ou não alcançando, ou tendo medo de andar a noite sozinha na rua até um ponto de ônibus, algumas vezes já me foi respondido à tal solicitação: 'Mas ué, vc não é feminista?!' 
   MAS CARALHO! SOU MULHER, FEMINISTA E NÃO SOLTO RAIOS DE FOGO PELA BUCETA!

       O fato de nos identificarmos como feminista's não nos exime de passar pelas mesmas problemáticas que as outras mulheres. 
        O fato da mulher ser feminista não apaga as opressões do mundo sobre ela/nós. Não a/nos livra de levar/mos cantadas na rua, de ser/mos agredida's ao reagir a elas, de sofrer tentativas de estupro, entre outras violências que a/nós mulher/res sofre/mos diariamente nos espaços. O fato da mulher ser feminista não muda na cabeça de muitas pessoas que a mulher esta errada em sair de casa depois das dez, de que a mulher de saia curta está "pedindo".
       O fato de ser mulher feminista, não me exime de menstruar, de ter dores, de sofrer por questões amorosas, de sofrer com as cobranças familiares que cobram casamento, netos, monogamia e heterossexualidade. Não estamos isentas a nada disso. 
Não nascemos livres, nosso processo de libertação e desconstrução é um processo diário, e enquanto os homens não compreenderem isso continuarão a produzir machismo e outras formas de opressão, mesmo quando pretendem ser companheiros, quando digo homens aqui, to falando dos q se dizem feministas (os feministos, que não abrem mão do protagonismo nem no movimento feminista e não se conformam apenas em ser pró-feministas).
     O feminismo nos dá o poder de refletir sobre as ações cotidianas e opressoras de nossa sociedade, do que é naturalizado, através de muita luta, mas as mudanças não acontecem como mágica. Feminismo ainda não dá poderes mágicos para vencer todas as violências e opressões do mundo.
A mulher é q é feminista, mas o mundo todo ainda não é. Quando uma amiga feminista solicitar ajuda, acredite, que é pq ela realmente deve precisar, não é por comodismo. 
Bjão!

segunda-feira, 20 de abril de 2015

Hoje vamos utilizar nosso blog para fazer uma denúncia e manifestar apoio à mais uma vítima do machismo. Acompanhamos pelo Facebook a denúncia de um caso de assédio, e pedimos permissão à vítima para falar sobre o caso aqui. Vamos preservar todos os nomes, em pedido da vítima, que teme sofrer retaliações justamente porque a denúncia envolve pessoas do trabalho.

A fala da vítima:

Recentemente recebi uma mensagem pornografica que julguei ser equivocada, pois nunca havia dado qualquer espaço de conversa para a pessoa em questão, então achei que fosse a janela errada.O sujeito em questão é adulta e ciente de seus atos. Publiquei algo a respeito, pq hoje, logo pela manhã, a pessoa enviou uma mensagem se desculpando, mas logo mostrou que não se arrependeu, pois quis iniciar uma outra conversa. Finalizei, excluí e só resolvi falar pq infelizmente isso não é um fato isolado. De vez em quando gente que nem conheço, que me vê comentando em post de amigos, deixa alguma msg, seja ela de "olá", até aí tudo normal, ou umas coisas desagradáveis como "delícia, vc..."

Não considero tais abordagens um elogio, não irei naturalizar e sim, ficarei ofendida com investidas sexuais. 
Não vou considerar normal abrir minha caixa de mensagens e ler o texto de alguém narrando suas fantasias e despejando bobagens,pq simplesmente se acha no direito de tentar a sorte. No referido print a pessoa chega do nada, me chama de exagerada e começa a me ensinar o português que ela diz ser claro. Não sou obrigada a aprender essa linguagem. 
"Ah, foi um elogio! Pq vc ficou ofendida?"
"Vc tá sozinha mesmo... O cara tentou a sorte...


Além disso, a vítima mostrou imagens de uma pessoa próxima tentando invalidar sua denúncia, e justificar a atitude do agressor:


























As pessoas ainda acreditam que quando uma mulher é assediada ela só tem que levantar as mão pro céu e agradecer, porque afinal de contas alguém lhe quer e sua missão na terra, de ser um ser a disposição do interesse masculino, foi cumprida. 


E não, essa visão de que é 'apenas uma investida, vida que segue, deixa isso pra lá', não nos contempla. Cada uma sabe do seu limite, e o que pode ser assédio pra mim, pode não ser assédio para outras, por conta de inúmeros fatores de reprodução cultural, mas se eu digo que me senti assediada e agredida por tal investida não deslegitime a minha denuncia nem a denúncia da amiga. 
Em toda nossa vida, fomos descritas e ditas pelos outros, nosso comportamento ditado e regulado pelos outros, hoje, se temos o minimo poder de nos dizer e nos anunciar, estamos aqui fazendo justamente isso, dizendo que flertar é diferente de assediar, sobretudo se eu não der brecha pra isso, e não é um elogio. E eu nem nenhuma mulher deveria se sentir feliz quando recebe uma cantada canalha, e ser objetificada não nos faz sentir especial.


O assédio é mais uma das estratégias do patriarcado para colocar as mulheres do lugar de frágil. É uma nítida forma de intimidação. O macho pode falar o que quiser pra uma mulher, e se ela reclamar está sendo histérica, não sabe ouvir um elogio. Não vamos nos calar, não vamos aceitar que objetifiquem nosso corpo, que nos intimidem e nos excluam dos espaços públicos! Vamos resistir, por nós e por todas.

Meça suas palavras, e respeite as mina!

domingo, 22 de março de 2015

Não sou fã da teledramaturgia nacional. Mas não precisa ser fã pra saber o discurso impregnado nos produtos de mídia da tv aberta: novelas com elenco 90% branco (num país de maioria negra, cerca de 53%), onde se mostra sem caricaturizar apenas a vida de quem é rico, bonito e heterossexual. E essa tem sido a realidade das novelas desde que comecei a acompanhar folhetins já na infância.

Pois bem, vamos ao que interessa e falar do último beijo gay do momento que balançou a semana: Entre as atrizes Fernanda Montenegro e Nathália Thimberg, damas da teledramaturgia e cinema nacional (no caso de Fernanda, até mesmo indicada ao Oscar).  Tivemos já um histórico de beijos gays e boicotes às novelas que os exibiram. Gisele Tigre e Luciana Vendramini protagonizaram o primeiro beijo lésbico na TV brasileira (mas poucos assistiram porque foi no SBT e esbarrou no silêncio ao tratar do tema ditadura militar. A justiça caiu em cima) Tiveram os beijos Globais:  Félix e Anjinho, Giovanna Antonelli e Taina Muller e o da novela  Império entre José Mayer e Kleber Toledo. Todos tinham uma história de fundo para ganhar a aceitação do público. Eram beijos limpinhos, entre gays e lésbicas sem trejeitos, com mais história de amor do que história de casal (história de casal tem trepada, tem briga e tudo mais). Era meio que um KY que os autores colocavam na trama pra poder colocar essas cenas “chocantes” nas novelas.

Então, na trama Babilônia, que já começa com assassinato, orgias e violência, resolveu colocar um beijo gay sem ter uma história explorada, apenas um amor já consumado entre duas idosas e aí vem o chorume de merda nos comentários da internet, com direito a fim de amizades que sobreviveram até ao protesto (coxinhaço) de 15 de março. Podemos apontar 3 problematizações iniciais nesse beijo:
Uma das imagens usadas no boicote à novela
1º Beijo lésbico sem apelo sexual: Afinal, muitos héteros homofóbicos  já tiveram o desejo de ter duas mulheres lésbicas na cama, porque só isso explicaria a enorme quantidade de filmes eróticos com essa temática. Um beijo lésbico que não é objeto de desejo é tratado como aberração pelos segmentos tradicionais da sociedade. Falar disso é como falar de mamilos: exibições de peitos em público que estão ali apenas para serem objetificados são muito bem aceitas enquanto que peitos exibidos em protesto, ou que não estão nos moldes  de beleza, que representam algo além dos peitos, são repudiados e apedrejados.

2° Beijo entre duas idosas: A mulher só tem um momento em que pode exercer sua libido enquanto mulher e ser aceita. Casada, com o marido e pra procriar. E jovem. É, isso mesmo. A sociedade castra a mulher depois de uma certa idade por motivos de menopausa e etc. Cria-se aquele mito do casal de velhinhos que não transa mais, mas que tá junto apenas por amor. Gente, pelamord deus, independente da sexualidade da pessoa, IDOSX TRANSA SIM! MULHER IDOSA TRANSA, MULHER IDOSA LÉSBICA BEIJA, AMA E TRANSA! Se vc acha motivo de panelaço duas idosas beijando só porque são idosas, to torcendo pelo seu envelhecimento precoce.

3º Lesbofobia: Um beijo gay com uma história, em que se conheça a conduta e a história dos gays e ele ainda q seja um pouco afeminado, ele faça a questão de manter a “postura” e só troque carinhos com o “parceiro/companheiro” dentro de casa, dá pra pensar no caso. Agora duas mulheres idosas que nem sei qual é a delas, não interessa quantos anos elas se amem mas eu só vi elas agora passando na rua merece panelaço sim. Fico pensando a mente dessa pessoa se qualquer pessoa tipo eu, você que está lendo, seu filho ou filha beijando uma pessoa do mesmo sexo na rua, meu bem... os casos de lesbofobia e homofobia só aumentam. Acho que isso responde as nossas inquietações.

O beijo da novela não serviu pra mudar a mentalidade do público mas serviu pra expor quem ele é.

domingo, 15 de março de 2015

Gente linda dessa terra Brasil. Não tá sendo fácil pra ninguém. Por isso, viemos através deste post tentar lançar palavras de esperança e força em vosso coração (solta o Kenny G, DJ!)

Somos negrxs, mulheres cis ou trans, homens trans, não binárixs, lésbicas, homossexuais, bissexuais, assexuais, com necessidades especiais, etc. E mesmo dentro desta sopa de letrinhas, somos únicxs, exclusivxs. Mas o sofrimento que passamos cotidianamente nos aproxima de alguma forma. Nossa dor cria uma corda que nos amarra e nos sustenta.

É difícil levantar da cama sabendo que, naquele dia, muitas pessoas serão agredidas, violentadas, assassinadas. Como é complicado ter força pra sair de casa quando você leu no dia anterior a denúncia de um assassinato, estupro, violência doméstica, capacitismo, racismo, homo, trans, lesbo, bifobia. Precisamos arrancar forças de dentro do pâncreas pra enfrentar essa sociedade escrota.

É foda. Sentimos isso todos os dias. E não queremos chegar aqui e dizer que você precisa levantar, precisa enfrentar, precisa lutar. Você não é obrigada a nada, miga. Mas você pode, se quiser, resistir. Nós também queremos pessoas que nos deem força pra brigar. E se você nos der força e a gente der força pra você? Pode acontecer!

Vamos nos fortalecer, nos emponderar. Dá vontade de se jogar na cama, nunca mais levantar. Eu tenho medo, muito medo. Eu tenho medo pra caralho de sair de casa e levar uma lâmpada na cara. Eu tenho medo que minhas amigas sejam estupradas quando voltam pra casa. Medo escorre pela minha alma. Mas o medo não consegue me paralisar, porque quando a gente junta uma cambada de gente que tem medo, conseguimos transforma-lo em uma maré de revolta. Conseguimos nos apoiar, e usar esse medo pra reagir.


Temos demandas específicas, sem dúvida. Mas podemos nos apoiar. Podemos e devemos nos ouvir. E, principalmente, nos questionar sobre as opressões que também reproduzimos. Afinal, nessa sociedade em que a discriminação é estrutural, ao mesmo tempo que sofremos, reproduzimos opressões.



Esse texto é um manifesto em favor do emponderamento, da sororidade. Enquanto houver uma de nós sendo agredidx, ofendidx e humilhadx, não estaremos livres.

domingo, 8 de março de 2015

  
  
     Em pleno século XXI depois de passado décadas e mais décadas da luta sufragista que deu início histórico -em registros popularmente conhecido nos livros- às lutas feministas, depois de queimarmos sutiãs, depois do direito ao uso do anticoncepcional, depois de estarmos cada dia e cada vez mais inseridas no mercado de trabalho, a nós mulheres ainda nos é negado o direito ao nosso corpo,ao uso e a imagem que temos que construir sobre o mesmo.

   Nesses dias que antecederam o dia internacional da mulher, me peguei pensando em algumas coisas no que refere-se ao uso do meu corpo e os espaços. Me deparei com uma situação em que ao sair na porta da sala p ir à academia, me dei conta que meus pelos das axilas estavam um pouco grandes, eu voltei para depilá-los num processo de pseudo-higienização.O que fez com que essa minha atitude chamasse a minha atenção foi o fato de que dias antes uma colega de academia tinha ido com os ‘suvacos peludos’ e eu achei um máximo, quando eu vi pensei que teria coragem de fazer o mesmo, mas não,  não tive, não tenho. No meu processo deformação e empoderamento feminista, percebi que a desconstrução dos papéis e construção de gênero vem se constituindo em relação ao respeito a liberdade ao corpo das outras, mas que por muitas vezes o meu próprio corpo e a minha imagem estão presas ainda nesse processo estético a que somos submetidas na nossa construção do imaginário do que é ‘ser feminina’. 

    E aí, partindo do meu sovaco direto p meu útero, pq to possuída! Quando falo que a gente não tem direito sequer ao nosso corpo, no quesito pelos...imagina no quesito vagina!

   Nós mulheres, somos ensinadas a usar nossa sexualidade como moeda de troca, somos treinadas a não demonstrar desejo e satisfação sexual, e isso reverbera no campo social da culpabilização...  ao sentirmos prazer e de termos necessidades sexuais, e por termos uma vida sexual ativa! (ou, ao menos tentarmos).
É bizarro, no meio de tantas coisas que ainda  temos q conquistar, ainda nos dias de hoje ficarmos batendo em um tecla que já deveria ter sido tirada do teclado. Mas o discurso culpabilizador que cai sobre as mulheres, quando a mesma exerce sua sexualidade é tão forte q, olha, dah vontade de morrer, ou matar! 

   Pensar no meu corpo e nos espaços, é ter que pensar que: se por ventura for chegar um pouco mais tarde em casa, eu não deva ir com aquela minissaia que tanto gosto, pq eu poderia legitimar o direito de um possível agressor sobre meu corpo, pq mesmo sendo a vítima, a cadeira dos réus sempre nos foi destinada.

Quando falamos do quesito aborto então, ÇOCORR DEUS, dai-me paciência! Parece que nós somos hermafroditas, temos os gametas femininos e masculinos e nos autofecundamos. Do homem é tirada toda culpa e responsabilidade do caso, ao homem é destinado o direito ao prazer, e a nós, caso venha acontecer uma gravidez indesejada, independentemente do pq (irresponsabilidade, descuido, falha do preservativo e etc) o peso de uma gravidez indesejada e a carga psicológica-social-moralista-cristã que tenta nos colocar como assassinas, caso optamos por interromper a gravidez, como se cometer tal ato já não fosse sofrível o suficiente. Afinal de contas se transamos, temos que saber que o castigo por isso pode vir... e temos q lidar com isso, caso o bofe não queria assumir sua responsabilidade. E assim nessa criminalização muitas mulheres pobres morrem juntos com seus fetos, graças aos 'protetores' da vida que pregam q 'bandido bom é bandido morto'.
Enfim mugs! 
  

  Esse post de hoje é só um post singelo diante de todas as mazelas que nos aflige, e confesso que hoje é daqueles dias que busco forças p me manter na luta.
   

A vcs todas, mulheres cis, mulheres negras, mulheres pobres, mulheres nordestinas, mulheres da américa lática, mulheres trans!  O meu mais fraterno abraço de sororidade e que Gaia e Isis nos dê forças para continuarmos seguindo derrubando os forninhos do patriarcado! 
Bjão!


sábado, 28 de fevereiro de 2015

domingo, 15 de junho de 2014

     


      De umas semanas pra cá tenho observado um discurso/debate a cerca das feministas transfóbicas.  O que muito me intriga é o fato de que toda e qualquer violência sofrida por mulheres cis hétero, cis lésbica e trans feminina, é uma violência proferida à imagem da mulher, e a imagem que essa mulher representa no seio dessa sociedade patriarcal/paternalista, hétero, cristã e branca. 
 
     Até onde meu conhecimento/entendimento de feminismo, questões referentes a construção de gênero e sexualidade me permitiu enxergar é que: ser mulher, se entender como mulher e definir um determinado padrão de gênero como sendo seu, assumir determinada identidade, vai além do fato de se nascer com buceta, útero, canais vaginais, ponto G e clitóris. É construção, identificação e/ou adequação. O fato de nascermos com determinada genitália não é o que determina o quão louc@s seremos por vestidos, brincos, bonecas e/ou carrinhos, bola de futebol  e etc. isso vai de encontro ao quanto somos estimulados para aderir determinados comportamentos e apreciação de determinadas coisas, que mais tarde entenderemos como 'coisas de meninas' e 'coisas de meninos'. 
   
     Embora acredite que cada um/a tenha o direito de identificação com uma causa e/ou com uma luta na qual se sinta mais pertencente e tocad@, não encontro justifica plausível para essa corrente e promoção do ódio de alguns grupos feministas às mulheres trans. Isso, na minha compreensão de feminismo, deixa de ser feminismo e passa a ser sexismo... e pelo que entendo... é contra isso que estamos lutando já faz algum tempinho, ou não?!          
     Não se sente estimulada pela causa, deixe passar reto, não se importe, ignore... acho digno, mas desperdiçar energia para promover o ódio contra a figura da mulher trans, ao meu ver é muito contraditório! 
 Mulheres cis, mulheres trans e saparrachas... uni-vos... 
DIGA NÃO AO FEMINISMO BUCETISTA! 

domingo, 9 de março de 2014

  
    Como cês sabem, o dia internacional da mulher é comemorado no dia 08 de março, existem controvérsias ao pq da data, mas uma das histórias que me marcou é de q na data houve um incêndio, q alguns dizem criminoso, em uma fábrica textil em Nova York. Fábrica essa em que as funcionárias estavam insastifeitas com as condições de trabalho e viam fazendo grever e manifestações para que suas reivindicações fossem atendidas (existem boatos de q o incêndio foi provocado pelo ~patrão~). A cor que representa a maioria dos movimentos feministas é o lilás, segundo a história essa era a cor do tecido que as mulheres produziam no dia do incêndio. Existem vários acontecimentos referentes a referida data, e outras datas tb foram criadas no séc  XX. Mas a origem se dá ao fato da entrada da mulher no mercado de trabalho/indústria e a sua luta por melhores condições de trabalho. Esse é um dos motes principais q depois tem incorporado a luta pelo direito ao voto, liberdade sexual e coisas que lutamos até os dias de hj.
   É claro que caminhamos bastante até o presente momento, mas é inegavel e incontestável que ainda temos muito a conquistar. Sempre culpabilizaram a mulher pela maldição q assola o mundo e a si mesma, somos todas Evas causadoras da expulsão do Jardim do Éden, do paraíso, as pecadoras, as provocadoras responsáveis pela punição do capataz. Ainda hoje, quando vítimas, nos tornam culpadas, vide estupro, onde somos culpabilizadas pela violência sofrida, afinal, não deveriamos andar nas ruas sozinhas, com roupas ~indecentes~. É foda ter q ainda lutar pelo direito de ser cidadãs, onde possamos ter o direito de ir e vir (ou de não ir e de não vir se caso não quisermos), sem sermos coagidas e violentadas. É foda ter que nos depararmos quase que diariamente notícias de mulheres que ainda  são vítimas de violência doméstica, mulheres que morrem porque os homens não aceitam o fim do relacionamento ocupando assim o papel de posse, onde a mulher não tem nome próprio, ela é apenas a mulher de "fulando", a filha de "sicrano", a mãe de "beltrano". 
   Enfim querides... Não desejo parabéns no dia 08 de março a nenhuma das irmãs (mulheres héteros, mulheres lésbicas,  mulheres trans, mulheres). Não existe um parabéns quando as mulheres não tem uma existência plena enquanto cidadãs e são fadadas pelo patriarcado a um papel secundário e coadjuvante na sociedade.  Desejo que possamos ter forças para continuarmos lutando e conquistarmos um mundo onde seja melhor pras nossas filhas, netas e todas as outras que virão. 
"Que nada nos defina. Que nada nos sujeite. Que a liberdade seja nossa própria substância"
-Simone de Beauvoier 

terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

Hey pepow, vcs sabem qual a diferença entre o Charme e o funk?! 

Diz a música que um anda bonito e o outro elegante.
Se procede, não sei, mas é assim que dizem que é. 
Agora vcs sabem qual a diferença entre o sexismo e o feminismo?



Pois bem, as vezes, quando rola uma discussão na rede sobre questões de gênero e afins, surge uns seres que dizem q o feminismo nada mais é do que o machismo ao contrário, que são as mulheres querendo dominar o mundo, tomar o poder, matar os homy TUDO, e esfregar a tchebs na cara da sociedade!
Pois bem, na verdade isso se chama sexismo, o sexismo sim, prega a idéia de superioridade e privilégio a determinado gênero ou orientação sexual em detrimento do gênero oposto. 
"De maneira geral, o termo é usado como exclusão ou rebaixamento do gênero feminino. Trata de uma posição, que pode ser praticada tanto por homens quanto por mulheres; portanto, o sexismo está presente intragêneros tanto quanto entre gêneros. De acordo com Karin Ellen von Smigay, culturas falocráticas possuem: "um vasto conjunto de representações socialmente partilhadas, de opiniões e de tendência a práticas que desprezam, desqualificam, desautorizam e violentam as mulheres, tomadas como seres de menor prestígio social". 1 Assim, de acordo com esta autora, o sexismo acaba "legitimando a violência contra mulheres e todos aqueles que, em determinadas circunstâncias, são reconhecidos como tendo uma posição feminilizada. Mantido por um pensamento essencialista, atribui qualidades e defeitos que seriam inerentes e específicos de cada sexo".2 De acordo com esta análise, sexismo e homofobia estão estreitamente relacionados."*


O feminismo tem um caráter diferente, ele visa a equiparação de direitos. Busca a liberdade dos padrões opressores baseados em normas de gênero, e, patriarcado. É um movimento social, político e filosófico que luta pela igualdade social. Esse movimento foi responsável pela criação de leis trabalhistas dirigidas especificamente às mulheres, lutou para garantir o nosso direito ao voto, licença-maternidade, métodos contraceptivos, e, ainda luta por salários iguais para ambos os sexos que desempenhem a mesma função. Além de lutar contra violência doméstica, estupro, assédio sexual...enfim garantir a integridade do nosso corpo, nossa liberdade sexual. 



Ambos tem caráter diferente, e não tem nada a ver um com o outro, um prega a superioridade de gênero, independentemente de masculino ou feminino. O outro luta pela garantia de igualdade social, política, filosófica, sexual, trabalhista, e, humana! 




*wikipédia

sexta-feira, 31 de janeiro de 2014

E aí? Vai rolar ou não o beijo gay da novela? Foi um dos debates levantados nas rodinhas de conversas e tal. Finalmente uma novela brasileira, ainda que de uma forma cagada, caminha para um desfecho em que os personagens gays da trama: Félix (Matheus Solano) e Niko (Thiago Gatinho Fragoso) caminham para um final feliz e um início de relacionamento com torcida do público da novela. Ainda que os ranços sociais da moral e dos bons costumes venham a afirmar que o grande público ainda não está preparado para o tal do monstro convertedor de héteros “beijo gay”, a trama caminha para um final onde a tal falta do beijo pode naufragar uma história que depois de quase afundar, conseguiu subir de novo graças, principalmente, a trama do personagem Félix, que foi de vilão a anti-herói e atualmente, pra mim, protagonista da trama.

A trama que começa com Félix sendo uma “bicha má”, um vilão atrapalhado e carismático, embarcando na onda dos vilões da internet, já chega sendo um estouro. Todo mundo acompanha o Félix vendo a exposição da imagem de um gay que é para os outros rirem, ainda que um personagem forte da trama, ainda é um riso do outro. Um personagem de bordão que passa por várias situações parecidas na trama, (tentar uma maldade, se dar mal, e lançar um bordão “será que eu salguei a santa ceia?”) Quase uma sitcom. Capaz de rodarem um filme dele como fizeram com o Crô, esse outro personagem gay do gosto popular, mas ainda muuuuito mais esterotipado que o Félix.

Na nova fase da trama, ao qual muitos torceram o nariz, Félix mostra que pode ser uma boa pessoa sem ter que abandonar seus jeito afeminado e divertido, e cresce ainda mais como personagem. Que antes já era querido do público, agora passa a ser o alvo da torcida por um romance com o personagem Niko e aí surge o tal do debate do beijo gay. Como uma coisa mágica, como um sinal do apocalipse para os religiosos, como um transformador de homens héteros direitos pais de família e seus bondosos filhinhos viris em homossexuais. A heterossexualidade da sociedade nunca esteve tão frágil gente! Parece q vc escorregou numa casca de banana e ops! “virei” gay.

Fez o contraponto total do último personagem gay marcante do horário das 8: Roni (Daniel Rocha) da novela Avenida Brasil, em que o personagem praticamente termina a novela voltando para o armário, ficando a melhor amiga e ajudando-a a criar o filho junto com o pai. Amor à Vida termina com um total contraponto com um casal gay, com filhos, relacionamento estável e que caiu nas graças de boa parte do público. E aí que todos nós clamamos: Vai ou não vai ter o beijo gay da novela? Será que o mesmo pessoal que torce por eles são aqueles que “até tem amigos gays, mas não precisa se beijar em público” ou que “Só tenho amigos gays que nem parecem gays, não fazem essas coisas em público”? Achamos que dessa vez não tem pra onde fugir. Esse beijo vai mostrar quem é quem nas rodinhas de bar, amigues.

No mesmo capítulo do dia 28/01/2014 em que acontece uma tão criticada troca de carinhos dos dois personagens, a personagem Aline, durante uma transa com Ninho, tenta esfaqueá-lo. Sexo e violência numa só cena que passa batida pelos conservadores de plantão. Nos perguntamos: o que está fazendo mais mal aos nossos filhos? 


UPDATE: ROLOU O BEIJO GENTE





Já passei o bronzeador e estou aqui esperando o fogo do juízo final! O melhor são os comentários do vídeo... se vc for sensível nem leia rs... Mostrando a necessidade da visibilidade da cena... Não foi apenas um beijo, mas um beijo que invadiu a bolha cisheteronormativa alheia... enfim... bjx 

terça-feira, 21 de janeiro de 2014


                Olá personas, como vai a vida? Sua vulta também tá fritando nesse calor? A nossa pegou fogo mas é só aparecer um boy magia que ela renasce das cinzas.

                 Se você não está por fora do que acontece no Rio de Shaneiro, sabe dos absurdos que envolvem o governo do Cabral. E eis que de repente, chega até nós a notícia de que essa criatura aprovou um projeto de lei de autoria da deputada Myriam Rios.
                Bem, só de falar o nome da dita cuja aposto que seus pelos da nuca ficaram eriçados, e deu uma vontade de leve de gritar. Pra quem não se lembra, a mesma deputada insinuou que a homossexualidade está ligada à pedofilia. Isso mesmo, amigue, ela quis dizer que as guei e as sapa tudo são pedófilos. Veja o vídeo (se tiver estômago forte):



                Pois bem, projeto de lei vindo desse demo não deve ser coisa boa. E não é. A lei foi criada para resgatar os valores morais e os bons costumes. Má que merda é essa?

                A própria explica um cadinho no projeto: ““infelizmente, a sociedade de uma maneira geral vem cada dia mais se desvencilhando dos valores morais, sociais, éticos e espirituais (…) Sem esse tipo de valor, tudo é permitido, se perde o conceito do bom e ruim, do certo e errado. Perde-se o critério do que se pode e deve fazer ou o que não se pode”. 

                Parece bonito, parece caridoso, mas é pura baboseira reacionária. Gente esse papo de moral e bons costumes sempre é usado para combater as mudanças sociais. Foi o mesmo discurso usado contra o divórcio, contra a pílula anticoncepcional, libertação escrava, etc. E hoje é usado contra os direitos das pessoas gays, lésbicas e trans principalmente. 

                O medo da dona Myriam é que seja considerado normal que dois homens se casem, ou que duas
mulheres demonstrem carinho publicamente, ou ainda que uma pessoa rompa a barreira binária de gênero e possa ser reconhecida livremente com o gênero que se identifica, ou com nenhum dos dois. Ela tem medinho de que a sociedade caminhe pra se livrar dos preconceitos e discriminações. E por que ela tem medo?

                Por que nesse mundo utópico onde todxs podemos ser aquilo que sentimos e queremos ser, o discurso de ódio dela não vai ter mais serventia. O discurso falacioso dos fanáticos religiosos que extorquem as pessoas, que luta para impedir direitos fundamentais para parcelas marginalizadas da sociedade será ridicularizado. No mundo que queremos (e lutamos para se tornar realidade), essas pessoas não encontrarão espaço na mídia para propagar o ódio e a violência. Não terão como enriquecer as custas da fé e do sofrimento alheio.

                Então, dona Myriam, pode esbravejar aí contra as mudanças conquistadas a custo de muita dor e sangue. Enquanto isso nós estaremos sambando na cara da sociedade patriarcal.


quarta-feira, 11 de setembro de 2013


E parece que a vida é pautada nesse tipo de cobrança enquanto nos enquadrar categóricamente. Enquanto feto: homem ou mulher? Enquanto homem: gay, hétero ou bissex? Comportamento: agir e vestir como homem ou como mulher? Na cama: Ativo, passivo, participativo, etc... Coisas essas que deveriam ficar numa ficha de acesso geral para poupar meu tempo e minha beleza de ficar explicando. Porque pra mim não faz muita diferença me definir dentro de um padrão. Acho até reducionista. Para os outros, facilita a forma de como seremos tratados, mas pera!As escolhas (se é que em algum momento fazemos alguma escolha dessas apenas a nossa vontade) nos colocam em lugares diferentes no mundo, direcionam a que “feudo” vamos pertencer, a que grupo de minorias estaremos fazendo parte e que direitos teremos cerceados, dependendo de onde estaremos, se poderemos usar roupa curta na rua, se poderemos usar qualquer roupa,  se poderei ou não sair de saltos na rua, se comprarei o enxoval do bebê azul ou rosa (pergunta se pode dar rosa para menino, As tias piram! Os pais podem interpretar como ofensa.)Eu penso em até que ponto minha homossexualidade é a minha opção sexual de fato. 

É  fato comprovado que sou gay. Mas também nunca me permiti o bastante viver coisas diferenciadas com mulheres. Nunca senti vontade e isso é um motivo básico para eu nunca ter ido pisar naquele terreno, porém fico pensando nessa coisa de a gente se delimitar dentro de uma cerca sexual. Como se a gente tivesse que escrever na testa o que somos pra facilitar para os outros nos entender e nos aceitar (ou não) colocando dentro da caixinha onde eles quiserem no que eles tangem como bom, mau, legal, escroto e tal. Porém me definir como bissexual me dá preguiça, só de explicar para os outros que mimimi prefiro homens mas gosto de me definir como bissexual blablabla, eu e alguns amigos estamos adotando uma ideia de "não há sexualidade" meio que opção sexual: pessoas - e vivendo a vida fazendo o que dá vontade, dentro do que aparece na nossa vida, com um tanto básico de juízo, lógico. Mas vivendo. E venho falar que me sinto melhor nessa coisa de não me colocar em uma fôrma. Na situação falo logo "sou gay" por preguiça de ter q explicar isso tudo pras pessoas. Só porque já nos predispomos a uma coisa só, não quer dizer que devemos manter as nossas mentes fechadas para as possibilidades do mundo.

Quanto a idéia de 'opção', os grupos que discutem as relações homoafetivas e grupos ativistas do movimento LGBTTs, sempre fazem questão de reafirmar que não é opção, mas sim orientação, mas e se for opção tbm, e se eu optei, qual o problema disso? Mesmo se for opção, qual o problema em a pessoa optar em se relacionar com pessoas do mesmo sexo, talvez, a recusa ao uso da palavra opção, é estar se justificando, implorando uma aceitação/perdão que não deve ser implorada, afinal de contas ngm deveria interferir nas escolhas e opções de cada um, referente à sua sexualidade e na opção de com quem e de qual gênero cada um tenha que se relacionar. Infelizmente, vivemos em um ambiente que hostiliza os diferentes e a busca por uma naturalização biológica seja o caminho, tipo eu nasci assim, eu cresci assim e vou ser sempre assim Gabriela... mas nascendo assim ou optando em se relacionar com pessoas do mesmo sexo, ngm deveria ter que justificar suas escolhas e seu interesse sexual em generos similares ou diferentes, afinal de contas,  cada um q tome conta do seu xibiu, do seu fiofó e da sua piroca! 

E pensando bem, amigue, existe em certo momento uma opção. Escolhemos viver ou não nossa sexualidade. Durante séculos as pessoas homoafetivas foram reprimidas, viviam escondidas em celibatos e casamentos de fachada. Hoje podemos, ainda com muito sofrimento e luta, assumir nossa orientação. Então escolhemos (ou não) romper com a opressão. Quando te perguntarem - Qual é a sua opção sexual?" - responda: liberdade! 

Enquanto não se vê todos esses grupos em que somos jogados de forma igual, com igualdade de direitos e condições de existência plena, seremos sim obrigados a buscar os nossos direitos e enfrentar quem fica “cagando regras” sobre usos e costumes e nos afirmar enquanto diferentes, enquanto seres existentes e sair desse estado de invisibilidade social. O mundo ainda não está preparado. Falta educação. Mimimi.

segunda-feira, 22 de julho de 2013

Antes de ler esse post entenda >>> somos completamente a favor da liberdade religiosa, como forma de viver e expressar sua religiosidade. Porém entendemos que religião e Estado não podem andar de mãos dadas, e repudiamos a influência da igreja católica, assim como de qualquer outra religião, nas decisões que dizem respeito a direitos civis.

E aí que o papa tá chegando nessa terra brazilis. Você, que não é católico, deve pensar: ok, vulvinha, e o que eu tenho com isso? Bem, amigue, você não deveria ter nada a ver, mas infelizmente não é tão simples. Ainda que a gente não siga a fé católica, ela insiste em querer enfiar sua cruz goela abaixo.



A igreja representa uma entidade completamente retrógrada, que não acompanhou o desenvolvimento social e pior, luta contra o avanço e a conquista de direitos civis e sociais. Suas atitudes acabam por reforçar o sofrimento sofrido por pessoas ao redor do mundo, e sua grande influência política faz com que importantes questões sejam encaradas do ponto de vista espiritual, ao invés de serem tratadas como direitos humanos.

A igreja e o aborto

O aborto é a quarta causa de mortalidade materna no Brasil. Poderíamos citar uma série de dados estatísticos sobre o número de abortos que são feitos, o número de mortes de mulheres em decorrência do aborto, o tratamento desumano dado a essas mulheres que abortam e procuram hospitais por alguma complicação. Enfim, o sofrimento é enorme. E mesmo sabendo de tudo isso, continuamos a colocar a vida do feto acima da vida da mulher. Um exemplo disso é o famigerado estatuto do nascituro, que entre outros absurdos, propõe que a mulher dê continuidade a gravidez em casos de estupro. Vale lembrar que hoje, no Brasil, o aborto é permitido em casos de estupro, de feto anencefálico  e quando representa risco de vida para a mulher. Os “pró-vida” querem mudar isso, pois para eles não importa se a mulher está bem, o que importa é que o feto venha a nascer.

Como alguém se intitula pró vida se não tá nem aí pra vida da mulher? Se deseja que ela dê continuidade a uma gravidez que pode causar sua própria morte? Será que esses pró vida tem noção da dor psicológica que é ser violentada sexualmente? Acredito que não, pois eles
desejam que mesmo tenso sido violentada, agredida, humilhada, ainda que esteja abalada psicologicamente, ela dê continuidade à gestação de um filho do homem que a estuprou!

O fato é que todas essas ações tem o apoio integral da igreja católica. Podemos citar alguns casos, como a menina de 9 anos em Pernambuco que foi violentada pelo seu padrasto e ficou grávida. A igreja simplesmente excomungou a mãe e os médicos que interromperam a gravidez. A igreja queria que uma menina de 9 ANOS desse continuidade em uma gestação de gêmeos! O corpo daquela menina não estava pronto para aquilo, a cabeça dela não estava pronta, ela sofria riscos de vida, e ainda assim o que importava era a vida do feto, fruto de uma violência! É demais pra mim, gente.

Mais recentemente é o da menina no Chile, que foi violentada por anos pelo padrasto, engravidou dele aos 11 anos. E aí que a menina chega e diz que quer manter a gestação, e a galera acha lindo e um exemplo de maturidade. Sim, você leu corretamente. O governo elogiou a decisão de menina e disse que é contra qualquer tipo de aborto, inclusive aqueles em caso de estupro ou perigo à mãe, e a decisão do governo foi endossada por quem? Ah rá, igreja católica!

Igreja e a comunidade LGBT

No ano passado, o até então papa Bento XVI disse que o casamento homossexual é uma ameaça a humanidade. Isso causou a ira das pessoas que defendem os direitos humanos. Muitxs católicxs diziam: é apenas a nossa crença, vocês não devem se importar tanto.

Bem gente, mais uma vez não podemos negar que o papa é um símbolo muito forte no mundo, e suas declarações não são somente palavras, mas sim discurso de poder. Não podemos

ignorar que existem lugares no mundo onde ser gay literalmente é motivo pra você morrer.

Existem muitos países onde a homossexualidade e as pessoas trans são penalizadas com reclusão, chibatada, apedrejamento, morte, etc. Tudo isso não somente nos costumes sociais, mas também na legislação! No Brasil vemos uma onda de conservadorismo, com propostas de cura gay e uma influência cada vez mais do cristianismo nas decisões do Estado, barrando importantes conquistas de direitos civis LGBT.

Ignorar que o discurso do papa causa mais ódio, mais sofrimento, mais discriminação é leviano! Em cada país em que xs homossexuais/trangênerxs sofrem perseguição, após essa declaração com certeza a vida deles piorou bastante.
  


E aí que a tia Vulva escreveu tudo isso pra dizer que a visita do Papa nos afeta sim. Isso porque nem falamos dos gastos públicos com a visita dele. Mas o fato é que, sendo você católicx ou não, essa visita te afeta. E se nos afeta, temos o direito de participar dela da forma que acharmos válida. Por isso, estamos divulgando:

Hoje, segunda-feira (22/07): beijaço LGBT durante o discurso do papa no palácio Guanabara. A mobilização será feita a partir das 14 horas no Largo do Machado. O grupo que organiza o beijaço já tem uma lista de advogadxs que poderão prestar apoio. Vamos ser medo de beijar!


Sexta-feira (26/07): ato “Toda nudez será permitida”. Descrição do evento:
Vamos tomar banho em copacabana fazendo topless na JMJ.Todas vadixs de peito de fora caminhando nas areias de copacabana no dia do PAPA IN RIO.Esse local é a décadas conhecido como a praia LGBTTQIS e como PRAIA DA BOLSA onde as trans mulheres sempre fizeram e fazem topless.
Quer coisa mais maravilinda? Vamos todxs juntxs! Concentração por volta das 15 horas. Clique aqui para ver o evento no facebook.

Sábado (27/07): Marcha das vadiaaaaas! Em Copacabana, posto 5, a partir das 13 horas. Evento com tudo explicadinho aqui.


Tirem essa cruz da nossa vulva, do nosso corpo, da nossa sexualidade, do nosso útero!