domingo, 15 de março de 2015

Gente linda dessa terra Brasil. Não tá sendo fácil pra ninguém. Por isso, viemos através deste post tentar lançar palavras de esperança e força em vosso coração (solta o Kenny G, DJ!)

Somos negrxs, mulheres cis ou trans, homens trans, não binárixs, lésbicas, homossexuais, bissexuais, assexuais, com necessidades especiais, etc. E mesmo dentro desta sopa de letrinhas, somos únicxs, exclusivxs. Mas o sofrimento que passamos cotidianamente nos aproxima de alguma forma. Nossa dor cria uma corda que nos amarra e nos sustenta.

É difícil levantar da cama sabendo que, naquele dia, muitas pessoas serão agredidas, violentadas, assassinadas. Como é complicado ter força pra sair de casa quando você leu no dia anterior a denúncia de um assassinato, estupro, violência doméstica, capacitismo, racismo, homo, trans, lesbo, bifobia. Precisamos arrancar forças de dentro do pâncreas pra enfrentar essa sociedade escrota.

É foda. Sentimos isso todos os dias. E não queremos chegar aqui e dizer que você precisa levantar, precisa enfrentar, precisa lutar. Você não é obrigada a nada, miga. Mas você pode, se quiser, resistir. Nós também queremos pessoas que nos deem força pra brigar. E se você nos der força e a gente der força pra você? Pode acontecer!

Vamos nos fortalecer, nos emponderar. Dá vontade de se jogar na cama, nunca mais levantar. Eu tenho medo, muito medo. Eu tenho medo pra caralho de sair de casa e levar uma lâmpada na cara. Eu tenho medo que minhas amigas sejam estupradas quando voltam pra casa. Medo escorre pela minha alma. Mas o medo não consegue me paralisar, porque quando a gente junta uma cambada de gente que tem medo, conseguimos transforma-lo em uma maré de revolta. Conseguimos nos apoiar, e usar esse medo pra reagir.


Temos demandas específicas, sem dúvida. Mas podemos nos apoiar. Podemos e devemos nos ouvir. E, principalmente, nos questionar sobre as opressões que também reproduzimos. Afinal, nessa sociedade em que a discriminação é estrutural, ao mesmo tempo que sofremos, reproduzimos opressões.



Esse texto é um manifesto em favor do emponderamento, da sororidade. Enquanto houver uma de nós sendo agredidx, ofendidx e humilhadx, não estaremos livres.

Reações:

1 comentários:

Kelly disse...

Muito bom texto, Daniel. Traduziu em palavras o sentimento que também me acompanha nesses últimos meses. Mas é o manifesto que desafia o medo. Estamos juntos! Grande abraço!