segunda-feira, 11 de maio de 2015

Êeee e ontem foi dia das mães...
E por isso, nesse momento em q compartilhamos do amor e confraternização (cof), venho por meio deste explicar o pq nós do Vulva sempre estarmos nas redes alfinetando essa instituição q conhecemos como ~ família~.
Quando a gente 'fala mal' da família, não quer dizer que não gostamos dos nossos pais, que não temos vínculos afetivos com os integrantes da nossa própria. Não é isso. Nossa objeção à família está ligada a esse conceito de família nuclear burguesa,nascida no século XIX p suprir as demandas de uma nova subjetividade (procure no Wikipédia) que estava sendo formada naquela época.  

Essa família que tivemos como modelo (mãe, pai e filhinho), nem sempre foi constituída dessa forma. Se pegarmos os modelos de como os feudos eram organizados (tendo como base acultura europeia), ou mesmo as aldeias indígenas (se tratando de Brasil), ou outras comunidades do mundo... (procure no Wikipédia 2) podemos perceber que a relação entre as crianças e a comunidade se dava de forma diferente, as crianças eram de responsabilidade da comunidade ou da aldeia, não apenas dos seus pais especificamente. 

    Com as mudanças sociais adquiridas na era vitoriana e com o crescimento econômico graças a revolução industrial na Inglaterra, surge  uma nova maneira de se constituir a sociedade que estava passando por um processo de urbanização. Os reflexos desse período histórico foi disseminado e ainda reflete pelo ocidente nos dias atuais, nesse processo de urbanização, os homens que eram pequenos proprietários de terras, ao saírem do campo para a cidade, passam a ser donos apenas da sua força de trabalho. 

    Nesse processo de mudança e de urbanização, surge também o conceito e um modelo de família que conhecemos hoje como família nuclear burguesa, com o respaldo dos higienistas. Esse modelo familiar parece querer compensar os homens que antes eram proprietários de pequenas terras, estes por sua vez passam a ter posse e o domínio da sua ‘prole’. A família passa a ser de propriedade e responsabilidade do patriarca, e esse passa a ser o responsável por regular e disciplinar a esposa, e essa por sua vez ganha as vezes de dona do lar. Daí a cobrança social da mulher casar virgem, pois esse homem precisava ter garantia que ele, estaria alimentando e prezando pela vida do SEU filho e não de um qq com quem sua mulher pudera vir a ter relações sexuais.

A mulher a todo o momento é vista como posse, posse da família que tem o papel de “adestrar” para que em breve possa ser posse de outro alguém: O marido, à qual ela deve cuidar amar e ser fiel, ao chegar em  casa de um longo dia de trabalho tirar seus sapatos e servi-lo de uma comida quentinha e saborosa, em seguida lavar a louça, por os filhos na cama e enfim terem uma linda noite de amor, ISSO ME LEMBRA  UMA FAMÍLIA  QUE JÁ ESTEVE MUITO NA MÍDIA:




 Por incrível que pareça muitas mulheres ainda vivem nessa condição e por toda uma estrutura patriarcal sair desses relacionamentos abusivos é mais difícil do que um simples discursos de: “ela vive nessa situação porque ela quer também!”, dados de pesquisas apontam que mesmo com a Lei Maria da Penha (Lei nº 11.340/2006), ainda contabiliza-se 4,4 assassinatos a cada 100 mil mulheres, número que coloca o Brasil no 7º lugar no ranking de países nesse tipo de crime, além de que na pesquisa realizada na campanha “Compromisso e Atitude pela Lei Maria da Penha – A lei é mais forte” para 70% da população, a mulher sofre mais violência dentro de casa do que em espaços públicos no Brasil. Fazendo o recorte de raça à situação se torna muito mais critica, para além da violência doméstica as mulheres negras sofrem também com a violência no parto, segundo o ministério, 60% da mortalidade materna ocorre entre mulheres negras, contra 34% da mortalidade entre mães brancas. Entre as atendidas pelo SUS, 56% das gestantes negras e 55% das pardas afirmaram que realizaram menos consultas pré-natais do que as brancas. A orientação sobre amamentação só chegou a 62% das negras atendidas pelo SUS, enquanto que 78% das brancas tiveram acesso a esse mesmo serviço.

Nós da Vulva deixamos nosso máximo respeito a todas as mães, guerreiras e resistência, mães periféricas que acordam as 04h30min da manhã pra cuidar dos filhos das madames a fim de no fim do mês não faltar o alimento para seus filhos, as mães guerreiras que são vitimas de violência domestica, as mães que estão em situação de rua e são obrigadas a deixar seus filhos em abrigos, as mães que foram obrigadas a darem seus filhos por não terem condição física, psicológicas e financeiras, as mães que entram na frente do fuzil.



As mães que adotam filhos que não saíram do seu ventre, as mulheres acima de tudo que abdicam das suas vidas para cuidar de outra. Ou mesmo as que por dificuldades que não nos cabe julgar optam por interromper sua gravidez, o que também é muito doloroso pra muitas mulheres. Vocês são foda! São resistência!






Bibliografia de apoio:
http://www.geledes.org.br/mulheres-negras-sao-60-das-maes-mortas-durante-partos-no-sus-diz-ministerio/#axzz3Zr3hQRlh

http://www.compromissoeatitude.org.br/para-70-da-populacao-a-mulher-sofre-mais-violencia-dentro-de-casa-do-que-em-espacos-publicos-no-brasil/
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